Para entender o que é glocalização vou fazer uma alusão ao que as mães sempre dizem: “Amamos todos os nossos filhos com a mesma intensidade, mas cada filho de uma forma diferente”.  

Quando a internet surgiu abriu todas as possibilidades para descobrirmos um mundo antes não acessível a todos. Na virada do século XXI falava-se em rompimento de fronteiras, encurtamento das distâncias, acesso a outros países e culturas.   

Esta era a fase da “globalização”. O mundo todo conectado, notícias em tempo real, compras de produtos de outros países, vídeo-chamadas. Nenhum lugar é tão longe que você não podia ver no Google Earth. 

Esse novo cenário foi um prato cheio para as muitas empresas: novos públicos, novos mercados para expandir e vender. Bilhões de novos possíveis clientes. Bastava reproduzir e aumentar a produção, criar base nos países-alvo e vender. 

Muitas empresas conseguiram crescer  e muito nesse cenário. Mas não é tão simples como parece! 

A globalização também fez com que as pessoas fossem bombardeadas de informações, produtos, propagandas, notícias do mundo todo. E quando há este excesso de informação, a tendência é darmos atenção apenas àquilo que nos interessa, àquilo que cria conexão e faz sentido com a nossa cultura e forma de ser. 

As possibilidades que a internet e as novas tecnologias abriram foram tão inovadoras que o mercado demorou para perceber um dos pontos mais fundamentais para que uma estratégia de internacionalização dê certo — lembra da história dos filhos? É essencial respeitar as individualidades, as singularidades, as características específicas, as regionalidades, as culturas e os hábitos locais. Entender o que meu publico quer consumir. 

A empresa Bombril, por exemplo, que tinha um único tamanho de esponja de aço, criou outros dois formatos do produto para atender às demandas de diferentes regiões do Brasil. No sul, onde as pessoas tinham costume de dividir a esponja ao meio, a empresa criou a embalagem com 8 esponjas menores. Já em estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde as casas têm muitas janelas e o produto é mais usado, a empresa atendeu à demanda e criou uma esponja maior que a comum. 

A Kibon é outro exemplo. Como algumas frutas só existem em estados do Nordeste, a empresa criou sorvetes com os sabores da região: cajá, cupuaçu e graviola, por exemplo. Já a Bunge, fabricante de alimentos, lançou na região Sul do país a embalagem sachê de 500 g de maionese – mais prática e barata que as de potes de vidro — devido ao alto consumo do produto. 

São adaptações dos negócios aos costumes e características locais, e que podem acontecer de diversos formas: com ajustes no próprio produto ou no processo, na abordagem do marketing, nas embalagens ou no formato de distribuição, por exemplo.  

Esse é um desafio para os locais! 

O que a glocalização busca fazer é respeitar e proteger o que é “local” da pasteurização cultural que a globalização causou em certos aspectos.  

Esteja, pesquise, procure, amplie no global, mas foque no local em termos de cultura e comportamento. É a forma mais consistente de conexão que a empresa pode criar com o cliente. “Eu te entendo, entendo a cultura e sei como quer consumir”. 

Acreditamos muito no conceito de glocalização e buscamos sempre aplicar dentro dos processos da WePayOut. Pensamos global e agimos local.